O poço da rua

07/06/2009 at 23:39

poço da rua tapado

No princípio, a vila era uma rua que ligava igreja a igreja.

Rua Diante lhe chamaram, quando outras a partir  dela se começaram a ramificar.

No princípio, havia um poço, que por sua vez, deu nome ao caminho que ao mesmo levava.

Com o crescimento do burgo, novos poços por cá se abriram, o dos Cavalos, o Canavial, o da Condessa e o Novo, este mais tardio, no caminho para a Altura de Beja.

Mas o Poço da Rua, sendo o primeiro, matou a sede a mais gerações, encheu um sem número de quartas, enfusas e pipas, foi lugar de peregrinação diária, manhã cedo ou ao sol-postinho, para que nas casas primeiras desta terra, a agua não faltasse.

gargalo poçoPara dentro dele, gestos repetidos atiravam caldeirões que logo subiam a transbordar da água vital para a vida aqui.

Nos movimentos ascendentes, as cordas encostavam-se ao gargalo e com o passar dos séculos, vincaram nas pedras aparelhadas sulcos com a medida do seu uso.

Mas um belo dia, em nome da modernidade, a Câmara Municipal entendeu cobrir de cimento parte da história visível desta terra e tapou o Poço da Rua, talvez por ser coisa velha.

poço discotecaPorém, porque o dito poço, é um testemunho da história e da vida real de Castro, entendemos que o mesmo deve ser libertado do jazigo de indiferença que o esconde, mostrando-o, na sua singeleza, como marco importante da nossa memória colectiva e que por si só fala das raízes desta vila.

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Arte Pública (1) “Por Castro” com a Associação de Moradores da Cerca dos Pinheiros


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