Archive for Junho, 2009

Começar de pequenino

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Quando há quase duas décadas esboçámos o primeiro gesto para desenhar a ideia do que viria a ser o nosso grupo coral e etnográfico infantil, estávamos longe de imaginar que o nosso sonho continha tanta oportunidade e probabilidade de vingar.

Lidávamos então, com uma descrença constante acerca do futuro do cante , forçado  a declinar, exausto pelo inexorável envelhecimento dos seus cantadores e pela nula renovação dos seus intérpretes. Os novos estavam , ainda mais arredios do que agora, de qualquer ligação afectiva ou efectiva à moda. Tinha-se chegado , nos meados da década de oitenta, ao nível mais baixo do crenço  pelo cante, quase se desprezava o nosso modo de cantar, ninguém queria vestir a pele da identidade, com uma tradição  sempre conotada com o trabalho duro e com o suor amargo.

feira2O  cante é filho dos campos e das searas . Cresceu no coração dos rurais e impregnou a alma alentejana, assumindo plenamente a sua poesia. Emprestou-lhe , em troca, a sua sonoridade e o ritmo que alonga as sílabas como ecos que se arrastam e procuram chegar ao fim das planícies. Cheira a estevas, lembra lavouras custosas e restolhos curtos.

Deste estigma fogem os aculturados, filhos e netos de ganhões , agora portadores de outras referencias.

Por isso, o nosso folclore , embora por nós muito querido em abstracto , é também de todos os outros, o menos assumido na realidade,  por razões de índole sócio-cultural inconfessáveis mas indisfarçáveis.

Se indagarmos a proveniência  sócio-económica e social dos membros dos ranchos folclóricos existentes no país, constata-se uma grande heterogeneidade de origens, ao passo que nos corais, nos nossos grupos , só milita ,por via de regra, gente com uma relação actual ou passada com o trabalho rural.

feira3Confrange-nos , por isso,  a circunstância de num  panorama como o actual, em que em termos laborais   o peso dos serviços  é tão grande  ,ser tão diminuto, em termos culturais, o envolvimento dos seus agentes na dinâmica  da interpretação da nossa expressão vocal mais autentica.

Era tempo de se exorcizarem os estigmas e os preconceitos, fazendo deslizar o cante para o campo da cultura, tornando a sua interpretação como factor de dignificação e de enriquecimento daqueles que podem fazê-lo.

Era já ocasião de se acabar com tanta rejeição à moda, e altura de se entender que por se ser cantador, não nos  caem os parentes na lama, qualquer que seja o nosso mister.

Pelo contrário, é um gesto de entendimento e de inteligência  já que nos interliga com referencias ,marcas e valores que importa abraçar em nome de um reforço da nossa identidade e da busca de um referencial colectivo que precisamos ter.

Mas para que se consiga tornear o actual torpor das mentes, julgamos que o caminho adequado è a criação de escolas do cante que tenham por embrião quaisquer associações e como seus dinamizadores actuais mestres da moda.

Foi assim que procedemos há quase duas décadas, quando em Castro Verde criámos os Carapinhas . Pela nossa escola já passaram centenas de crianças que agora, já adultos , alguns ainda cantam e outros poderão voltar a fazê-lo mais tarde. Mas, mesmo que nunca cheguem a integrar grupos corais, conforta-nos a certeza de que a sua atitude face à moda será sempre de grande proximidade e nunca de rejeição ou de aviltamento como por vezes, neste mesmo Alentejo, lamentamos observar.

( Texto de José Francisco Colaço Guerreiro publicado no jornal “ Diário do Alentejo” em 15/8/2003 )

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29/06/2009 at 00:07

Apresentação de Candidaturas

apresentação de candidaturas

25/06/2009 at 21:06

A Rota das Fontes

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Temos a consciência que o desenvolvimento sustentável que desejamos para o nosso concelho, não passa pela utilização de uma varinha de condão que nos ponha aos pés, num belo dia, outra Somincor.

Passa, isso sim, pelo aproveitamento escrupuloso de todas as nossas potencialidades, valorizando-as com projectos inovadores que possam criar uma dinâmica de crescimento local.

FonteAssim, mesmo as iniciativas mais pequenas que por cá despontem, merecerão da nossa parte todo o entusiasmo e apoio, porque será do seu somatório que poderemos obter, mais postos de trabalho e a produção de maior riqueza.

Não rejeitamos liminarmente os grandes investimentos no nosso concelho, contudo, achamos que não podemos ficar mais tempo paralisados, à espera de empreendimentos mágicos que temporariamente vão semeando ilusões, mas que não criam efectivas condições de vida.

Nessa base, temos de olhar à volta e vitalizar tudo o que for susceptível de produzir alguma mais valia, reparar para os pormenores, dinamizar e investir primacialmente naquilo que seja passível de abrir horizontes de esperança ao empreendedorismo local.

Fonte_MilagresOra, sendo para nós, o turismo um espaço de oportunidades a explorar com todo o afinco, nesta área, vamos criar uma rede de ofertas múltiplas, de índole cultural e ambiental.

Exemplo disso, vai ser a construção da ROTAS DAS FONTES, que consiste no levantamento das fontes mais conhecidas no nosso concelho, as quais serão assinaladas em mapa com vista à criação de um percurso específico.

Em concordância com os proprietários das terras onde se situam, as fontes serão limpas, a estrutura reparada e o seu aspecto acautelado.

As aguas vão ser analisadas com regularidade, tendo em vista monitorizar a pureza bacteriológica e a composição química das mesmas, constando os resultados de informação detalhada e actualizada, ao dispor dos interessados.

Esta rota, constituirá, sem dispêndio de grandes recursos e meios, uma nova oferta ao serviço dos residentes e visitantes, dentro do complexo de muitas outras possibilidades que vamos criar para promover o turismo, até agora praticamente inexistente, porque não fomentado, no nosso concelho.

24/06/2009 at 00:04

A Rota dos Montes

monteUma das portas de entrada para o desenvolvimento local alicerçado numa economia diversificada no nosso concelho, há-de ser o turismo. Para tal, iremos trabalhar e desenvolver uma rede múltipla de produtos que atraíam e fixem o turista entre nós, durante um, dois ou três dias pelo menos. Como estamos, sem promoção nem oferta do que quer que seja, para alem da Basílica que vem referenciada nos roteiros, não temos turistas, mas meros passantes que depois da fotografia tirada no jardim, vão embora sem nada deixarem.

monte1 Dentro do complexo de produtos turísticos que pretendemos ajudar a criar, destacamos hoje, a Rota dos Montes. Este projecto passa pelo envolvimento de um conjunto de agricultores, em particular daqueles que ainda vivem nos montes, na ideia de que a sua realidade agro-pecuária, pode ser aproveitada numa vertente turística. A lavoura, as sementeiras, as ceifas, o tratamento dos gados e a própria vida em torno do monte, são realidades culturais ímpares que sendo devidamente enquadradas pelos nossos serviços de turismo, vão servir para a captação do interesse dos muitos que preferem o eco-turismo ao já muito gasto turismo de massas.

monte2Assim, com contrapartidas reais, alguns agricultores poderão franquear as portas das suas explorações aos nossos visitantes organizados em grupos, com a opção do serviço de refeições ligeiras durante o período das visitas. O nosso mundo rural, ao abrir-se assim para o exterior, dará um grande contributo ao desenvolvimento local através da promoção turística, mostrando ao vivo, realidades que temos e que muito apreço causarão a quantos as vivenciarem.

22/06/2009 at 00:58

Equipa de Manutenção permanente

manutencao1Para que no nosso concelho não se verifiquem situações de degradação continuada em equipamentos, construções e mobiliário urbano, a Candidatura Por Castro, propõe-se dotar o Município de uma Equipa de Manutenção, permanente e activa que olhando para o concelho  como um todo, evite que os bens públicos percam a sua funcionalidade ou patenteiem um aspecto de abandono e decadência.

manutencaoEm estreita colaboração com as Juntas de Freguesia, iremos tratar devidamente daquilo que é de todos , fazendo com que a durabilidade das coisas se prolongue e o seu aspecto seja o adequado, numa terra e numa região onde  as pessoas, individualmente, gostam de pintar, tratar e conservar como ninguém, aquilo que lhes pertence

20/06/2009 at 07:38

O Poço Novo

poconovocom moinhoJá aqui o temos escrito e agora vimos reafirmar, que o nosso projecto para o concelho de Castro Verde, não admite casos de abandono como este.

Porque fica fora de portas ou porque não se lhe dá valor, este poço, que é (para nós não há dúvida) parte integrante do escasso património construído que temos, chegou a esta lástima.

pedragargaloO Poço Novo além de ser património cultural, também é, património do Município, o que devia ter obrigado a cuidados duplos evitando a sua ruína.

Com vista a dar resposta a estas situações de incúria e obviar à degradação futura de edifícios, sítios e peças de arquitectura com relevância histórico/cultural, vamos criar uma equipa especializada na sua conservação, com intervenção sistemática em todo o nosso concelho e de acordo com um levantamento e uma lista de prioridades a efectuar com as Juntas de Freguesia.

19/06/2009 at 00:00

Como vamos tratar o “Cante”

carapinhasSendo, sem sombra de dúvidas, o movimento cultural mais importante em todo o Alentejo e, porventura, em todo o país, a “moda” carece, urgentemente, de ser objecto de medidas de fundo que acautelem a sua continuidade e garantam a sua dignidade futura.

ganhoes0Tendo em vista tal propósito, as Autarquias não podem continuar a manter uma atitude passiva, de simples observadoras ou de meras dadoras de subsídios, mas, pelo contrário, têm de assumir o “cante “ como património imaterial vivo e em risco, que precisa de uma abordagem rápida e de uma intervenção estruturante.

Assim, tal como já o fizeram a quase totalidade dos municípios do Baixo Alentejo e até outros da Grande Lisboa, vamos declarar, formalmente, a “moda” como património cultural do nosso concelho.

Consequentemente, consideraremos os nossos Grupos Corais como parceiros culturais privilegiados, daqui derivando, para os mesmos, um tratamento institucional especial.

ganhõesAo nível regional, tudo será feito para que o cante alentejano seja classificado como património do Alentejo.

Vamos encetar também um diálogo e uma aproximação efectiva com a “MODA – Associação do Cante Alentejano”, que congrega a maior parte dos corais em actividade, no sentido da mesma deslocar a sua sede para o nosso concelho.

Localmente, vamos, igualmente, constituir uma “Comissão de Acompanhamento do Cante” constituída por representantes de cada Grupo Coral, da Câmara, Juntas de Freguesia, “MODA” e personalidades ligadas ao cante alentejano.

Por outro lado e como contributo para a sua dinamização, os Corais vão ser integrados num programa cultural itinerante e diversificado que percorrerá, de forma sistematizada e regular, todos os lugares do concelho.

Os ensaios dos nossos Grupos vão ser devidamente coordenados de maneira a que em todos os dias do ano, haja cante em Castro Verde e possamos aproveitar tal circunstancia como cartaz turístico.

Finalmente, vamos promover o ensino do “cante” nas  escolas  do concelho de modo a garantir, juntos dos mais novos, a absorção dessa nossa matriz cultural e potenciar a perpetuação da mais abrangente das nossas manifestações etno-musicais.

17/06/2009 at 00:34

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