Regresso à agricultura?…

16/04/2009 at 00:00

cerejasNuma época de crise e desemprego há quem defenda que a agricultura familiar pode reemergir como actividade complementar capaz de minimizar as dificuldades e a pobreza. Fará isto sentido? Quanto mim faz, e muito.

Não evidentemente para se apelar a qualquer regresso à sociedade rural (embora sepossa reagir “e porque não?!”…) do passado, nem porque se creia que isso possa ser a solução dos males que nos afligem. Mas acredito que o contexto actual justifique uma reanimação da pequena agricultura. Seja como complemento económico, seja até como terapia para escapar – pelo menos por alguns dias da semana – a esta massacrante pressão dos media e dos “eventos” quotidianos que nos cercam, e nos alienam, sem que para eles se vislumbre qualquer hipótese de solução à vista.

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E nalguns países desenvolvidos existem programas de actividades lúdicas relacionadas com a agricultura. Ou seja, as pessoas, mesmo as que têm bons empregos na cidade, pagam bom preço só para se poderem entreter nos tempos livres, trabalhando em jardins, plantando legumes, cavando, etc., ainda que isso se faça por puro prazer e não para recolher o fruto desse trabalho.

Em Portugal, país de camponeses até há pouco, a agricultura tradicional foi destruída, e a moderna praticamente nunca existiu – foi subtraída à rentabilidade e aos preços mais baixos dos produtos espanhóis. Porém, continuamos rurais. Só que passámos a comer tomates e maçãs calibrados, bonitos e sem sabor.

horta-ouremSomos “semi-camponeses” amontoados nas cidades, vivendo à beira mar, mas sem saber nadar e sem, tão-pouco, poderem dedicar-se à pesca (também ela destruída).

Há dias atrás, uma amiga – uma jovem recém regressada a Portugal e que está a realizar um doutoramento – dizia-me que tem tentado saber informações sobre como criar um negócio no sector agrícola, mas que se tem debatido com imensas dificuldades. Não há incentivos, nem sequer há informação disponível…

Este pequeno barco a virar para o lado do Atlântico, que é o nosso país, parece preferir ser tombado e morrer de fome na praia, do que virar-se para aquilo que melhores garantias oferece para assegurar a subsistência familiar – trabalhar a terra!

Vejam o exemplo daquela família de que há uns dias passou uma excelente reportagem na RTP2. Fartaram-se de Lisboa e há 20 anos voltaram à serra. Com a horta, as galinhas, os coelhos, a criação dos porcos, etc., não páram. E aquela lição fantástica nas palavras da filha menor, quando respondeu à pergunta da repórter sobre a crise: “crise? Nós cá não temos crise, porque quando ela aparece o meu pai muda logo de canal” !…

(Com a devida vénia, e porque subscrevemos o seu teor, reproduzimos aqui este texto de Elísio Estanque, natural de Aljustrel, Professor Doutor na Faculdade de Economia da Universidade de Coimbra e que nos dá a honra de constar na Lista de Apoiantes da nossa Candidatura)

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Castro Verde e Florido “Por Castro” com os Dadores de Sangue


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