Quando o Poder não Ouve
Na vila de Entradas, ao princípio do jardim da avenida, muitos homens costumam juntar-se na entretenga de uma cartada. Seja à bisca ou noutra modalidade, as cartas saem do leque, seguro na mão e sempre resguardado dos olhares dos parceiros.
Em tempos, com o fito de dar guarida aos homens sem pressa, foi ali construída uma casinha que num recanto entre bancos, cumpre bem a sua função de apoio.
Mas, melhor seria, se quem a concebeu no papel, no lugar de uma das duas aberturas, tivesse rascunhado uma parede, uma vidraça ou uma janela, por mor do vento que por ali encana.
Quem fica na setia, sujeita-se aos constipados e por isso, todos clamam pela parede que falta.
Mas, o Poder não ouve, ou não se importa com coisas pequenas e por isso, os utentes do espaço, com o que tinham à mão, tentaram minorar a corrente de ar.
Deslocaram uma mesa com os bancos agarrados e com ela improvisaram um tapume, um remedeio para uma solução tão simples.
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